Lettera all'ambasciata Brasiliana in Italia
del Comitato di appoggio Roma
Roma, 17 Novembre 1999
Vi invitiamo ad inviare all'ambasciatore del Brasile in Italia
la seguente lettera, per mail e/o per fax, nei giorni della presenza
del Presidente Cardoso in Italia (dal 17 al 21 Novembre 99)
Ambasciata del Brasile
Embaixador Paulo Tarso Flecha de Lima
e-mail brasital@tin.it
fax 066867858
Excelentíssimo Senhor
Embaixador Paulo Tarso Flecha de Lima
Nós do Comitê de Solidariedade à luta pela Reforma Agrária no Brasil,
sediado em Roma, em ocasião da visita do Presidente Fernando Henrique
Cardoso solicitamos à Vossa Excelência que transmita ao presidente
Cardoso as nossas preocupações relativas principalmente aos seguintes
problemas:
- Diante da confirmação do 2° julgamento de JOSÉ RAINHA JÚNIOR para
13 de dezembro, em Vitória (ES) pedimos um julgamento imparcial, com a
Justiça acima das pressões dos fazendeiros. Queremos manifestar nossa
indignação em relação à condenação do trabalhador José Rainha Júnior
no 1° julgamento a 26,5 anos de prisão pelos motivos a seguir expostos:
- O Sr. José Rainha destacou-se na luta pela justiça, pela dignidade
e cidadania para todos os excluídos. Fez da luta pela terra o seu
objetivo de vida, trabalhando sempre em prol da Reforma Agrária de
maneira decisiva, de forma coerente, procurando sempre negociar
soluções pacíficas para os conflitos agrários.
- Aliás, foi em uma destas negociações, com o então Secretário da
Agricultura do Estado do Ceará, onde buscava uma saída para o
acampamento São Joaquim, que foi surpreendido com a notícia da acusação
de participação no conflito ocorrido em Pedro Canário.
- Surpreendeu-nos, particularmente, o teor da acusação, baseada apenas
em indícios "dúbios e contraditórios", de testemunhas que apenas ouviram
falar na presença do Sr. José Rainha no local do conflito.
- Dos 21 escolhidos para o júri a maioria tinha estreitas relações com
os fazendeiros da região. Um jurado declarou de antemão que condenaria
Rainha. Até parentes de uma das vítimas participavam do corpo do júri.
Logo, o júri foi viciado!
- Condenaram não José Rainha, mas o MST e a Reforma Agrária, que é
justa e necessária para que haja Justiça Social no Brasil.
- José Rainha quer pôr fim na grande Injustiça Social, que é a causa
da maior parte dos conflitos do Brasil.
- Diversos Juízes de Direito e Advogados de renome, dos mais diversos
espectros ideológicos, que tiveram acesso ao processo, consideram a
pena absurda.
Márcio Thomaz Bastos da OAB disse: "Não há qualquer prova
que vincule Rainha ao caso. Acho que o júri errou fortemente."
- A condenação desmoraliza mais ainda o Poder Judiciário enquanto os assassinos de Chico Mendes, do Pe.Josimo, dos sem terra de Eldorado, de Corumbiara, de Margarida Alves, dos 111 presos do Carandiru, enfim de quase 2.000 ao longo de 20 anos permanecem impunes.
- Anistia Internacional, nos dias que seguiram o processo disse: "Se
Rainha for preso será 'prisioneiro de consciência' e terá sua
libertação 'imediata e incondicional' exigida. É intolerável que
acusações criminais sem base estejam sendo usadas contra José Rainha e
outros ativistas rurais como uma forma de intimidação".
- Diante do assassinato frio e covarde de DORCELINA FOLADOR - PREFEITA
DE MUNDO NOVO/MS, ocorrido na noite do dia 30 de Outubro, queremos
manifestar que a morte cruel da prefeita Dorcelina representa uma perda
irreparável. Dorcelina desde jovem, empenhou-se na batalha pelas
causas populares e enfrentou com destemor e dignidade o crime
organizado, o narcotráfico e o latifúndio. O Assassinato de Dorcelina
Folador não poderá ficar impune.
Pedimos o máximo de empenho com todos os esforços e recursos para obter
a elucidação, a prisão e a condenação dos mandantes e executores da
morte de Dorcelina.
- Diante da possibilidade de que o MASSACRE DE ELDORADO DOS CARAJÁS
continue impune, exigimos um julgamento verdadeiro, justo, em que os
assassinos de 19 trabalhadores rurais e os seus mandantes sejam
condenados.
Até quando o Brasil será considerado internacionalmente como
um país que desrespeita aos Direitos Humanos mais elementares?
Subscrevemo-nos,
Comitato di appoggio di Roma al Movimento dei Senza Terra.
Signor Ambasciatore
Noi del Comitato di appoggio di Roma al Movimento dei Senza Terra, in
occasione della visita del Presidente Fernando Henrique Cardoso,
chiediamo a sua Eccellenza di farsi interprete presso il presidente
Cardoso delle nostre preoccupazioni relative in primo luogo ai
sottoelencati problemi:
- Di fronte alla conferma del secondo processo a José Rainha
Júnior, il giorno 13 dicembre, a Vitória (ES) chiediamo un giudizio
imparziale, nel quale la Giustizia non si faccia condizionare dalle
pressioni dei latifondisti. Vogliamo manifestare la nostra indignazione
per la condanna del lavoratore José Rainha Júnior nel
precedente processo a 26 anni e mezzo di prigione per i seguenti motivi:
- Il Signor José Rainha si è sempre distinto nella lotta per la
giustizia, la dignità, il diritto di cittadinanza di tutti gli esclusi.
Ha fatto della lotta per la terra l'obiettivo della sua vita, lavorando
sempre in favore della Riforma Agraria in modo deciso e coerente,
cercando di negoziare soluzioni pacifiche per i conflitti agrari.
- È stato proprio durante una di queste trattative, con l'allora
segretario dell'Agricoltura dello Stato del Ceara, mentre cercava una
via d'uscita per l'accampamento São Joaquim, che è stato colto di
sorpresa dalla notizia dell'accusa di aver partecipato ad un conflitto
avvenuto a Pedro Canário.
- Ci ha particolarmente sorpreso il tenore dell'accusa, basata soltanto
su indizi "dubbi e contraddittori", di testimoni che avevano a mala
pena sentito parlare della presenza del Sr. José Rainha nel luogo del
conflitto.
- Delle 21 persone scelte per far parte della giuria, la maggioranza
aveva strette relazioni con i latifondisti della regione. Un giurato ha
dichiarato, prima dell'inizio del processo, che avrebbe condannato
Rainha. Perfino parenti di una delle vittime facevano parte della
giuria.
Quindi la giuria non era imparziale!
- Non hanno condannato in realtà José Rainha, ma il MST e la
Riforma Agraria, che è giusta e necessaria perché ci possa essere
Giustizia Sociale in Brasile.
- José Rainha vuole mettere fine alla grande Ingiustizia Sociale che è
causa della maggior parte dei conflitti che ci sono in Brasile.
- Diversi Giudici e Avvocati , di diverse tendenze ideologiche, che
hanno avuto accesso ai documenti del processo, considerano la pena
assurda.
Márcio Thomaz Bastos, della OAB (Ordine degli Avvocati
Brasiliani) ha detto: "Non c'è nessuna prova che leghi Rainha a
questo caso. Penso che la giuria ha fatto un grave errore".
- La condanna squalifica ancora il Potere Giudiziario, mentre gli
assassini di Chico Mendes, di Pe.Josimo, dei sem terra di Eldorado,
di Corumbiara, di Margarida Alves, dei 111 prigionieri del carcere di
Carandiru, di quasi 2.000 persone nel corso di 20 anni restano
impuniti.
- Amnesty International all'indomani del precedente processo ha
detto: "se Rainha andrà in carcere sarà un 'detenuto per reato di
opinione' e chiederemo la sua liberazione 'immediata e incondizionata'.
E' intollerabile che accuse criminali senza basi siano usate contro
José Rainha e altri attivisti rurali come forma di intimidazione".
- Di fronte all'assassinio freddo e vigliacco di DORCELINA FOLADOR -
Sindaco di MUNDO NOVO/MS, avvenuto nella notte del 30 ottobre,
vogliamo sottolineare che la sua morte crudele rappresenta una perdita
irreparabile. Dorcelina, fin da giovanissima, si è impegnata in difesa
delle lotte popolari e ha affrontato con coraggio e dignità il crimine
organizzato, il narcotraffico e il latifondismo. Il suo assassinio non
deve rimanere impunito. Chiediamo il massimo impegno e tutti gli sforzi
e le risorse possibili per ottenere chiarezza su questo crimine e la
condanna di mandanti ed esecutori del suo omicidio.
- Di fronte alla possibilità che il Massacro di Eldorado dos
Carajás continui a restare impunito, chiediamo con forza un processo giusto,
nel quale gli assassini dei 19 contadini e i loro mandanti siano
condannati.
Fino a quando il Brasile sarà considerato, a livello internazionale,
come un paese che non rispetta i diritti umani?
Comitato di appoggio di Roma al Movimento dei Senza Terra
Aderiscono: Aifo, Associazione italiana donne brasiliane, Associazione
Salvador Allende, CGIL Roma-Lazio, Cipax, Comité di Roma contro la
fame in Brasile, Iniziative pro Indios Roraima, Manitese, Red, Rete Radié
Resch e singoli cittadini.